objetos transcendentes

Permalink Do Manual de Civilidade destinado às meninas para uso nas escolas
 
[com ajuda espírita e a
partir da herança de
Pierre Louys, soprado ao
escriba por lindas
ninfomaníacas em flor]
 
_ Não diga: “Chupe-me
todinha”.
Diga: “Use a pedagogia da
manga”.
 
_Não diga: “Minha
buceta”.
Diga: “Meu coração”.
 
_Não diga: “Quero te
dar o cuzinho”.
Diga: “Voltei da depilação”.
 
_Não diga: “Estou
com vontade de foder”.
Diga: “Estou nervosa”.
 
_Não diga: “Deixa eu
fazer fio-terra”.
Diga: “Que rabinho mais
quente”.
 
_Não diga: “Acabo de
gozar como uma louca”.
Diga: “Sinto-me um pouco
fatigada”.
 
_Não diga: “Ninguém
me chupa como você”.
Diga: “Eis a língua universal”.
 
_Não diga: “Vou masturbar-
me”.
Diga: “Vou voltar”.
 
_Não diga: “Vamos
foder”.
Diga: “Oremos ao Senhor”.
 
_Não diga: “Quando
eu tiver pentelho no cu”.
Diga: “Quando eu for
grande”.
 
_Não diga: “Precisamos
inovar as posições”.
Diga: “Vamos ler o
catecismo”.
_Não diga: “Eu prefiro
a língua ao pau”.
Diga: “Só gosto de prazeres
delicados”.
 
_Não diga: “Não é nada
disso que você está
pensando”.
Diga: “Junte-se a nós e
sejamos felizes”.
 
_Não diga: “Entre as refeições
só bebo porra”.
Diga: “Sigo uma dieta
especial”.
 
_Não diga: “Mete mais
devagarzinho”.
Diga: “Não foi assim que te
ensinei”.
 
_Não diga: “Tenho doze
consolos em minha
gaveta”.
Diga: “Nunca me entedio
quando estou só”.
 
_Não diga: “Beije os
meus pés”.
Diga: “Você hoje ainda
não rezou por mim”.
 
_Não diga: “Os romances
honestos me
chateiam”.
Diga: “Eu gostaria de ter
algo interessante para ler”.
 
_Não diga: “Quando
se lhe mostra uma pica,
ela se zanga”.
Diga: “É uma original”.
 
_Não diga: “É uma
menina que se masturba
até quase morrer”.
Diga: “É uma sentimental”.
 
_Não diga: “É a maior
puta da terra”.
Diga: “É a melhor menina
do mundo”.
 
_Não diga: “Ela deixa-
se enrabar por todos
aqueles que a masturbam”.
Diga: “Ela flerta um pouco”.
 
Não diga: “Ela é uma
lésbica raivosa”.
Diga: “Ela não flerta de
jeito nenhum”.
 
_Não diga: “Eu a vi
ser fodida pelos dois
buracos”.
Diga: “É uma eclética”.
 
_Não diga: “Ele dá três
sem tirar da buceta”.
Diga: “Ele tem o caráter
muito firme”.
 
_Não diga: “Ele gozou
em minha garganta e eu
na dele”.
Diga: “Trocamos algumas
impressões”.
 
_Não diga: “Seu pau é
demasiado grosso para
minha boca”.
Diga: “Sinto-me bem pequena
quando converso com ele”.
 
_Não diga: “Ele fode muito
bem as menininhas, mas
não sabe enrabá-las”.
Diga: “É um simplório”.
 
_Não diga: “Cadê o gel
lubrificante?”.
Diga: “Com o carinho de
sempre”.
 
_Não diga: “Você é o
homem da minha vida”.
Diga: “Você me conforta
bem lá dentro”.
 
_Não diga: “Não sei
viver mais sem você”.
Diga: “Adoro a sua pica
dura”.
 
_Não diga: “Vou chupar
o seu pau”.
Diga: “Derrama o mingau
dos deuses”.
(Xico Sá)

Foto: Dominique Swain, em cena do filme “Lolita” (1997) de Adrian Lyne
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Permalink #AdoniranBarbosa na R. Augusta ( n. 1348 ) (Taken with picplz.)
Permalink Gui: visu novo. (Taken with picplz.)
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Mãos denhas

Qual letras que se veem a bordo da borboleta
fui à luz e vi a tempo a tempestuosa escuridão
Acostumei-me ao comportamento natural das coisas
e então pedi ao amor uma companhia que mudasse o meu percurso
entre a fresta do invisível e a ausência do merecido
vi o que queria ver
Guardei uma gota para lavar-me o suor caseiro
e me fazer sonhar na viagem, pleno de ti
Não sei de onde vens, mas chegaste
qual tetas que se leem lentas
qual borboletas que estalam letras
tangos
mambos
boleros

De Carlinhos Brown

Álbum: Diminuto (2010)

Para ouvir, clique aqui

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Olho de Lince

 Quem fala que sou esquisito, hermético
 É porque não dou sopa; estou sempre elétrico
 Nada que se aproxima nada me estranha
 Fulano, sicrano, beltrano
 Seja pedra, seja planta
 seja bicho, seja humano
 Quando quero saber o que ocorre a minha volta
 Ligo a tomada, abro a janela, escancaro a porta
 Experimento tudo, nunca me iludo
 Quero crer no que vem por aí, beco escuro
 Me iludo passado, presente, futuro
 Reviro na palma da mão o dado
 Presente, futuro, passado
 Tudo sentir, de todas as maneiras
 É a chave de ouro do meu jogo
 É fósforo que acende o fogo
 Da minha mais alta razão
 Na seqüência de diferentes naipes
 Quem fala de mim tem paixão.

 de Jards Macalé e Waly Salomão

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Dia do sexo - Poemas curtos

ENCONTRO

O olho caça
na mata
abaixo do umbigo
um abrigo
secreta pátria
a língua avista
bem no centro
do jardim de pêlos
o lugar
caverna
doce e úmida.

(Almandrade)



ÁRIA PIÙ SOAVE

As minhas mãos são pentagramas

acordando sons no teu corpo.

Ponta de dedos ímã o tato se vai

percutindo notas descobrindo poros

um toque de cheiro no silêncio úmido.


(…) O suor dos nossos corpos

enquanto garoa no lençol —

lava por um instante

o tempo de um ritmo sem metrônomo

um cheiro concreto de amêndoas.


(Anibal Beça)


A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas

da rosa pluriaberta; a língua lavra

certo oculto botão, e vai tecendo

lépidas variações de leves ritmos.
 

E lambe, lambilonga, lambilenta,

a licorina gruta cabeluda,

e, quanto mais lambente, mais ativa,

atinge o céu do céu, entre gemidos,
 

entre gritos, balidos e rugidos

de leões na floresta, enfurecidos.


(Carlos Drummond de Andrade)

***

Alguns gostam de fi-o-fó
Outros de suco de mangaba
Eu, mais modesto,
Gosto mesmo é de uma
Xiranhanhanhanhã em noite de luar.


(Chico Doido de CaicÓ,”69 Poemas de Chico Doido de Caicó (Natal: Sebo Vermelho, 2002)”)

***

Tua língua
é chama e pétala
na minha boca

Uma orquídea
rósea e fulva
se alastra no meu ventre

Selvagem e pura
no meu corpo
te enraízas.

(Luiza Mendes Furia,”Vênus em Escorpião”)

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No silêncio dos olhos

Em que língua se diz, em que nação,

Em que outra humanidade se aprendeu

A palavra que ordene a confusão

Que neste remoinho se teceu?

Que murmúrio de vento, que dourados

Cantos de ave pousada em altos ramos

Dirão, em som, as coisas que, calados,

No silêncio dos olhos confessamos?

JOSÉ SARAMAGO (1922-2010), in Os Poemas Possíveis, escritor português ganhador do Prêmio Nobel de Literatura

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De @rodrigofaour: “A impressão é de que o massacre da cultura americana corta certos baratos que poderiam ser muito maiores se o mundo não achasse que ela é um modelo imprescindível” - em “Mundo vasto mundo”, artigo para a Revista O Globo, 01. ago. 2010, página 42 

Rodrigo Faour é jornalista, pesquisador musical, consultor do novo MIS e acaba de produzir o CD “Sexo MPB”.

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